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O post de hoje será sobre a Aprendizagem Baseada em Problemas. Falaremos o que é, como o método é usado em medicina, quais as vantagens e desvantagens e quais faculdades adotam esse método.

O que é?

 

A Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL, do inglês Problem Based Learning) é uma metodologia de ensino que foi criada em 1969 na Universidade McMaster, no Canadá. No Brasil, foi aplicada pela primeira vez nos anos 90, na Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) e na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Essa metodologia é ativa, pois coloca o aluno em contato com atividades práticas desde o início do curso, fato que faz com que ele seja o maior responsável por sua formação.

O método acontece por tutorias: os alunos são divididos em grupos de aproximadamente 10 pessoas e um tutor e discutem sobre um problema. No início da semana o tutor oferece um problema e os alunos devem estudar o problema ao longo da semana para que no próximo encontra haja discussões sobre o tema proposto e a resolução do problema.

Isso faz com que os alunos estejam sempre estudando, pesquisando, se aprofundando e fazendo deveres de casa. Por ser uma discussão, um assunto novo toda semana, os alunos se sentem motivados, pois  sempre aprendem algo novo, seja por sua pesquisa ou pela troca que a discussão oferece.

Além da motivação, o método incentiva maior autoavaliação e senso crítico perante as futuras práticas. Esse processo investigativo, consegue unir a teoria e a prática de modo interessante, que prenda a atenção e a vontade do aluno no curso, sem deixar que sua motivação inicial esfrie.

A participação do aluno nesse método é muito importante, pois são eles que constroem as respostas. Além disso, o aluno se sente próximo do professor, não é como se o professor-tutor fosse o detentor do saber máximo e o aluno somente uma tábula rasa para despejar conteúdo. O tutor é, portanto, um facilitador, ele guia os estudantes.

Esse guiar é responsável por fazer incentivar participação de todos, fornecer estruturas para construir a solução do problema, fomentar perguntas para identificar o que os alunos sabem, o que estão imaginando, qual conhecimento estão usando como base, entre outros aspectos.

Na discussão, ele vai direcioná-la e assinalar o que julgar necessário, porém como os problemas são construídos por níveis de complexidade, é necessário provocar integração e aplicação dos novos conhecimentos com os já existentes. Quando o problema for dado, é interessante que as informações sejam o mais contextualizadas possíveis, para que a assimilação seja facilitada.

 

O método PBL na Medicina

Cada dia que passa mais faculdades de medicina estão adotando o método PBL. Os resultados do método estão se mostrando satisfatórios e cada vez mais necessários, pois ganhou-se a clareza de que o método tradicional é extremamente importante, mas que não o único possível e eficaz.

Além da tutoria, há as aulas de conferência e de laboratório. As aulas de conferência são as que mais se aproximam do método tradicional, no entanto ainda assim se diferenciam, já que abordam o tema da tutoria, para que os alunos possuam base de discussão.

As aulas de laboratório, por sua vez, são responsáveis pela prática das ciências básicas. Nelas, os professores de todas as matérias participam juntos, o que garante a interdisciplinaridade.

É possível que exista vários tipos de laboratórios da instituição, um deles é o Laboratório de Simulação, que costuma ter bonecos realísticos, simulações de atendimentos, ferramentas médicas e aparelhos mais comuns.

Por fim, há a consultoria, que ocorre uma vez por semana e é o momento dedicado a sanar dúvidas dos alunos: os professores dão um assunto prévio e os alunos tiram as dúvidas.

Vale assinalar que dentro do PBL há provas, o curso também possui duração de 6 anos e há atuação em campo, nas Unidades Básicas de Saúde.

 

Vantagens e desvantagens

Bom, a maior vantagem sem dúvida é a motivação do aluno. A partir dela, a autoavaliação e o senso crítico se tornam quase que automáticos. Por se tratar de uma investigação científica, que une teoria com prática, a retenção de conhecimento fica mais fácil de ocorrer, pois o aluno aprende a teoria segundo os problemas, que são totalmente capazes de ocorrer na realidade.

Outra vantagem é a melhoria do trabalho em equipe, por se tratar sempre de discussões e pequenos grupos. As habilidades interpessoais, também sofrem melhora nesse método, principalmente a habilidade de comunicação, que para o médico é extremamente importante, pois as consultas são baseadas na troca paciente-médico. Ao desenvolver a comunicação, desenvolve-se também o raciocínio clínico.

As desvantagens surgem quando a comunicação da discussão não flui bem, quando os alunos possuem um perfil introspectivo demais e postura passiva. É necessário vencer a timidez nesse método e se preparar para a integração. É comum que alguns estudantes levem um tempo para se acostumar com o novo método, sem o tradicionalismo que conviveu durante seus anos escolares.

É natural que haja semanas que a discussão seja mais difícil e truncada, pois os alunos podem estar cansados de argumentar, porém é algo superado rapidamente. É necessário que o tutor tome cuidado com a disputa de egos que pode ocorrer entre os alunos, quando somente um grupo determinado de alunos fala, ou quando determinados alunos acham que só eles estão certos.

 

Quem adota esse método no Brasil?

Algumas das universidades públicas que adotam o PBL são a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal de Goiás- Campus de Catalão (UFG), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Pernambuco- Campus de Caruaru (UFPE), Universidade Federal do Ceará- Campus Sobral (UFC) e a Universidade Estadual de Santa Cruz- Campus Ilhéus (UESC).

Dentre as faculdades pagas podemos citar a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e de Minas Gerais, a Faculdade Ceres (FACERES), de São José do Rio Preto, e a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), em Marília.

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